FacebookTwitterGoogle+Linkedin
Biscoito da Sorte
Aceita um biscoito da sorte? É só clicar e descobrir a surpresa que tem dentro dele pra você!
X
Quando a dona Hermengarda saía, às seis horas da matina, pra abrir a sua quitanda cheia de ratos, eu pulava o muro daquela velha casa e ia ao encontro da feiosa Bartira.

Todos os dias, eu a encontrava chorando, lamentando-se por ser a menina mais feia do bairro. Dava um trabalhão consolar a Bartira. Isto me custava, no mínimo, uns trinta minutos de preliminares até a Bartira ceder.

– Não chora, Bartira, você é linda por dentro. Tão maravilhosa quanto o seu nome. Se os homens não veem a sua beleza, o problema está neles e não em você.

Era uma lábia bem fraquinha, mas, com a Bartira funcionava. Ela parava de chorar e eu mandava brasa. Fazer o quê? Era o que tinha pro rango. Melhor do que ficar no cinco contra um... Come-se por amor à pátria. Taca-se uma bandeira do Brasil na cara e… ueba!Clicando aqui, você ouve a crônica
X
Seu gosto
Não discuto
Não olhe meu rosto
Nem um minuto.

Deixe-me aqui
Vagando a esmo
Ninguém eu vou ferir
A não ser a mim mesmo.

Se assusta se eu respiro
Ou se digo um simples “atim”
Mas não vou dar nem um tiro
A não ser se for em mim.Clicando aqui, você lê a letra de música
X
– Oi, essa é a fila pro “O som ao redor”?

– É sim, moça.

– Li boas críticas sobre esse filme. Estou com uma expectativa muito alta. – disse ela, com um sorriso convidativo.

Eu queria dizer que também estava com alta expectativa, não só em relação ao filme, como também quanto à sua presença, mas o que eu poderia dizer se a única coisa que me preocupava era não passar vergonha na frente de uma mulher bonita? Usava a técnica de entrelaçar os dedos, atrás da cabeça, pra controlar as mãos. Estava dando certo, porém a duras penas.

Meu posterior queimava, pegava fogo. Não conseguia pronunciar uma única palavra. Acho que ela começava a achar-me um idiota que não sabia o que estava fazendo lá, mas fui desmentido pelos seus olhos que reluziam. Ela parecia realmente ter gamado em mim.Clicando aqui, você lê o texto completo
X
Foi para a sua sala. Da escrivaninha, fitou por alguns minutos a ponte Szabadság, plenamente visível da vista de sua janela. Ficou imaginando como uma obra tão robusta do século XIX pôde ser destruída durante a Segunda Guerra Mundial e reconstruída num intervalo tão breve.

Sua memória também era antiga. Embaixo do porta-retratos com a foto de sua namorada, estava um bilhete por ela escrito, parabenizando-o pelo seu acesso à terceira década de existência. Mas, assim como a ponte em tempos belicosos, os alicerces de suas reminiscências também não estavam integrados. O que ocorrera recentemente de tão significativo a ponto de criar um abismo entre o instante vigente e dez triênios de história numa vida calma?

Interfonou para sua secretária e comunicou sua necessidade de sair mais cedo, usando a desgastada desculpa de uma consulta médica.Clicando aqui, você lê o conto completo
X
Sentindo o ar penetrar mais suavemente em seus pulmões, ao recostar a nuca na região superior de seu dorso, certificou-se que o céu continuava azul, porém, não mais azul força aérea, como todo o peso militar das regras da vida adulta em cima das suas costas, mas, sim, azul bebê, bem mais clarinho, bem mais limpo, quase um azul Alice, remetendo-o à época de maravilhas em que ainda não era proibido sonhar.

Doía, era verdade, mas tudo na vida tem um preço e o montante cobrado pela esperança era a dor. Via-se perdido, entretanto, com a concepção de que detinha um prazo maior de existência para livrar-se das amarras que com ele vieram ao mundo.

Cada um dos adeptos agradeceu o Deus do céu e do trovão pelo fim dos temporais. Sabia que não era nada disto, mas também estava grato pela estiagem que preservou as marcas de pneus, os fragmentos de vidro do farol e os vestígios de seu solado. Sem este capricho da natureza, não teria ele encontrado a rota que lhe revelaria sua furtiva identidade. A consistência pastosa do suco vermelho permitia que fosse acelerada a agonia com a fúria voraz de seus dentes, que não eram mais de leite.Clicando aqui, você lê o conto completo
X
Os aplausos reverenciados ao expert das campanhas comerciais causaram um desplugamento dele das maquinações preliminares de sua obra prima. Desfrutando o sabor da glória, interinamente, relaxou suas características cognitivas de associações dos elementos. Nada obstante, a centelha de luz nele provocada pelo usuário juvenil de sua criação trouxe à tona a gênese estrutural do engenho.

E, então, rememorou que, num encontro de ex-alunos do tradicional instituto de educação, soube que Pablo partiu para a terra de seus ancestrais a fim de cursar zootecnia. Nesta circunstância, aliás, aproveitou para tirar mais uma onda e disse que "o animalzinho dos Andes" – como o batizou carinhosamente – "aprenderia a cuidar de seus parentes".Clicando aqui, você lê o conto completo