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Biscoito da Sorte
Aceita um biscoito da sorte? É só clicar e descobrir a surpresa que tem dentro dele pra você!
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O fim de semana seguinte veio e o cérebro dele estava prestes a explodir. Foi esfriar os ânimos dando uma volta pelas ruas convizinhas. Chegou ao Parque Nacional de Fiordland com o propósito de percorrer uma trilha. Cruzando um atalho que dava ingresso à rota Kepler Track, vislumbrou, à sombra de uma árvore Kauri Tree, quatro adolescentes que se entretinham com o que aparentava ser um baralho.

"Como será que se grita 'seis, ladrão!' neste país?" – borboleteou com os lábios repuxados de forma zombeteira, enquanto se aproximava da turma de rapazes. Alcançando a agremiação de moleques espinhudos, ouviu o mais moço e desengonçado dentre os mancebos vangloriar-se de que formara uma sequência que lhe conferia a vitória na disputa.

– Eu tenho uma pistola de enxofre defumadora de selenitas mauricinhos – carta onze! – uma cratera de impacto para emergências escatológicas – carta trinta e nove! – e um soldado bravo índio cacique Ave-kiwi-que-choca-ovo-de-pintassilgo! – carta número cinco, seu marreco! Ganhei!

Ficou paralisado. Era comum para ele ver pessoas festejando com o seu trabalho erudito, mas, desta feita, tratava-se do escárnio mais sério que ele presenciara em sua vida. O autor do brinquedo teve um insight!Clicando aqui, você lê o conto completo
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"Se aqueles estilhaços de vidro não foram escoados pelas águas e os resquícios escuros de pneus não foram apagados, o incidente havia ocorrido há menos de três dias" - Pensou.

Nos arredores do tronco, notou indícios familiares. Conferiu a sola do seu sapato e não hesitou em julgar que as pegadas eram suas. Os desenhos geométricos estampados na lama eram idênticos à simetria procedente do relevo de seu calçado. Mal começou a seguir os sinais, nos primeiros metros, já pôde avistar uma amoreira bem distante. Então, decifrou por que se introduzira na jornada por ali.

Em sua infância vivida em Miskolc, nos primórdios dos anos noventa, morou em uma casa deslocada da cidade. A atmosfera campestre que caracterizava o local era coroada pelo pomar que a família cultivava no quintal.

Contudo, a brandura era ilusória. Seu pai foi um operário beberrão. Ao toque da sirene da metalúrgica, não perdia tempo em sua ida à taberna, na Praça Santa Ana. Enquanto sua mãe, católica fervorosa, assistia à missa na igreja situada no mesmo largo, o homem de aparência abatida e olhar apático, desanuviava suas frustrações com todas as doses de Pálinka que o seu curto salário podia comprar.Clicando aqui, você lê o texto completo
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Aquele japonesinho era muito esquisito... não... na verdade, não era. Eu que era. E sofria bastante bullying por causa disso. Preconceito todos nós temos, mas, quando somos as vítimas, logo levantamos a bandeira do contra. Eu, que vivia isolado, no meu cantinho imaginário pueril, quando olhava para os lados e via o mundo que existia, na realidade, interagia um pouco, nem sempre de uma maneira que se possa ter orgulho.

O ano era 1983. Mini Mingau Ácido na pré-escola. Durante a aula de educação física, fizemos fila para virar cambalhota, no colchonete, conforme mandara a tia Célia. A criaturinha de zoinho puxado, bem na minha frente, olhava-me de rabo de olho, com cara de poucos amigos, que ambos não tínhamos. Ele não estava gostando nada nada nada das chacotas do Mingauzinho.

– Abre o olho, japonês! Vai errar o colchão, na hora de virar cambalhota.

– Eu sou mestiço!

– É japonês. Ahahaha...Clicando aqui, você lê o texto completo
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O que nos diferencia dos bichos? O raciocínio, óbvio. Valorizo muito o meu, por sua utilidade prática e pelo reconhecimento ao esforço e aos milênios que foram despendidos pela Senhora Natureza pra desenvolvê-lo, através das duras penas impingidas aos nossos antepassados, e entregá-lo, pra mim, de bandeja, conforme nos explica Charles Darwin.

Existe algum descendente dos perfumadinhos Adão Maurício e Eva Patrícia lendo isto aqui? Espero que não porque sou oriundo de macacos sujos e malcheirosos.

Tive a sorte de nascer no último quarto do século XX e de chegar à minha segunda década de vida surfando, empolgadamente, na rede mundial de computadores. Mas, de lá até aqui, tiozinho, foi pedreira.

Quantas vezes o homem primata, já sedentário, esmurrou a sua cachola até descobrir que não era a oração pros deuses que fazia os animais multiplicarem-se, no cercado? Era a foda animal mesmo.
(Trecho da crônica para rádio "Doutora Sandra cobra R$490,00")
Clicando aqui, você ouve a crônica
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Segundo a física quântica, ao elegermos uma antelação, criamos um universo, pois essa escolha afeta a vida de todos os seres, sem excetuar nenhum, e, concomitantemente, mata um número infinito de outros universos, que são as opções subtraídas da concepção. É a chamada “teoria do caos”, a qual explica que “o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez, provocar um tufão do outro lado do mundo”.

Tantas possibilidades acarretam em um tempo que se arrasta com um maior fardo: “e se eu tivesse feito diferente? Quem seriam os meus filhos que não nasceram? Quem seria eu? Como seria o mundo se eu houvesse me entregado a inclinações distintas?”. E a aflição é imensurável porque pesa a responsabilidade da escolha. Nesse ponto, a liberdade não é tão maravilhosa assim. Sente-se falta de que alguém nos mande executar algo. E para aliviar, papagaiamos frases prontas do tipo: “não foi porque não era para ser”, “Deus quis assim”, “o destino já está escrito”, “é melhor arrependermo-nos do que fizemos do que daquilo que não fizemos”, etc.Clicando aqui, você lê o texto completo
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De acordo com a minha cabeça inocente, quanto mais longevidade o ser humano tivesse, mais deveríamos prestar atenção nele para abstrairmos suas ricas experiências e aprendermos sábias lições que aplicaríamos no defluxo de toda a nossa prática existencial.

Depois de tantos calendários trocados na parede da cozinha, eu penso:

"Caramba, cara! Você tinha dezoito anos ou cinco?".

"Você já era bem grandinho para ter uma visão ilusória desse jeito. Nunca ouvira falar em corrupção, por exemplo?".

"E você não era uma menininha para enxergar o universo tão cor-de-rosa assim!".

Claro que eu era consciente de que pelas ruas trafegavam ladrões, tarados e gente mau caráter de qualquer ordem, mas eu interpretava isto como um macrocosmo paralelo, algo deste tipo.Clicando aqui, você lê o texto completo