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Biscoito da Sorte
Aceita um biscoito da sorte? É só clicar e descobrir a surpresa que tem dentro dele pra você!
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O desprezo pelo humilde cliente era escancarado. O operador de máquinas, seu Ayrton, havia-se sentido ofendido pelo patrão, que estabelecera a rotina de revista dos empregados, todos os dias, ao fim do expediente.

Fatigado por falar de trabalho durante o desjejum, o causídico mais velho, que, ao contrário do estreante colega, já estava farto de aplausos de leigos, cortou o assunto, alegando que existiam prosas mais notórias a serem desfrutadas por dois intelectuais, sugerindo que o assunto em voga passasse a ser a repercussão da estatização de duas refinarias da Petrobrás por Evo Morales, tão explorado à exaustão naquele finado ano de 2007.

O macróbio senhor dos códigos jurídicos introduziu o novo discurso com o prólogo no qual ressaltava a superioridade de importância dos debates relevantes pra conjuntura política nacional em relação ao indigno seu Ayrton, seu cliente operário. Bom, talvez, aos doutos olhos, o seu Ayrton seja mesmo apenas um ínfimo décimo da escória dos esgotos do mais decadente bairro do subúrbio do Congo, porém, em sua carteira de clientes, havia algumas dúzias de “seus ayrtons”, que estavam pagando o cafezinho. Isto, por si só, pode parecer clichê. Pois, então, meu caro Leitor exigente, vamos alavancar o nível do nosso bate-papo (muito confortável pra mim, afinal somente eu falo).Clicando aqui, você assiste ao vídeo com animação digital
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Ai! Duas decepções! A primeira foi descobrir que não se tratava de uma mulher escultural e instruída. Estava muito bom pra ser verdade... A segunda foi ter reparado que, mesmo que eu quisesse algo, ficaria difícil manter o clima do diálogo.

Fiquei meio sem ter ideia de como reagir, então externei a primeira bobagem que veio ao meu crânio:

– Os discípulos de Schumpeter são denominados schumpeterianos. Se você acreditar em reencarnação, saberá que, logo, sua irmã nascerá novamente e será um gracioso bebê com uma chupeta na boca, uma autêntica chupeteriana.

Ela me encarou com uma fisionomia tão grave que me deu vontade de enfiar a minha cara num buraco. Deduzi que havia falado a maior merda do mundo. Abri a minha boca pra tentar emendar alguma coisa que me arrebatasse, todavia, antes que as minhas cordas vocais mandassem pra fora qualquer som, ela esbugalhou os globos oculares tresloucadamente e lançou a cabeça pra trás com ímpeto. Imaginei que ela fosse ter um ataque ou algo similar, mas ela deu um grito...Clicando aqui, você assiste ao vídeo com animação digital
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Quase chegando ao banco, passo pela porta da livraria.

– Moça, tem livro do Donald Trump? – indago à balconista loira.

Ela digita no sistema de busca apenas a palavra que conhece a grafia, que, obviamente, é a primeira. Nos resultados, somente links pra Pato Donald.

– O livro que você procura é da Disney, moço? – interrogou-me, quase zurrando.

Oh, dúvida, cruel! Tenho de responder em conformidade com o meu desejo ou empenhar-me pra ser simpático? Saco preso na gaveta dói menos...
Esquece o Trump. Nunca aprenderei a ficar milionário lendo as teorias dele. Só vou ajudá-lo a enriquecer mais.Clicando aqui, você ouve a crônica
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Que droga! Detesto ir ao banco. Com toda a tecnologia de hoje e ainda há pepinos que não podem ser resolvidos pelo telefone ou pela internet. Dou graças por essa agência bancária ficar ao lado de uma livraria...

Larguei todos os meus livros na casa da Vanessa. Enquanto ela não quiser atender-me e todas as minhas tentativas de contato forem arremessadas pro diabo da caixa postal, eu não conseguirei pedir pra que os deixe na portaria do condomínio pra que eu passe lá e resgate-os. É uma boa oportunidade pra comprar livros fresquinhos com cheiro de tinta de impressora.

Perdi a minha namorada e todo o meu acervo literário – o último, temporariamente, assim espero – mas não perco o vício de tentar achar, tipografados, despejados em papéis que, um dia – assim como eu – ao pó irão retornar, ensinamentos da salvação, que me apontem rumos inexplorados pra redirecionar a minha dispersa existência na Terra.

Finjo não ter consciência de que a resposta está aqui mesmo, dentro de mim, bem na frente do meu nariz, e teimo em caçar doutrinas em calhamaços amarelentos e infectados com micróbios. É um método intelectualoide pra ser medíocre como qualquer outro mortal, porém mascarado, escondido atrás de volumes de páginas empoeirados. Por isto, eu sinto mais a falta dos meus livros do que da Vanessa.Clicando aqui, você lê o texto completo
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Mandou a formiga pro caralho
Fez amizade com a cigarra
Largou o seu trabalho
E comprou uma guitarra.

Era ele e três mendigos
Que ficaram seus amigos
Foi assim que aconteceu
Três mendigos e um plebeu.
(Trecho do filme "Três mendigos e um plebeu")
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Depois de horas de palestra, fomos postos em fila, que terminava numa espécie de biombo. Atrás do tapume, teríamos a revelação sobre quem seria essa pessoa. Quem estaria lá? Nossos progenitores? Nossa paixão de infância que riu da nossa cara quando revelamos o nosso amor? O grandalhão que não nos deixava sair à rua, quando crianças? O examinador que corrigiu a nossa prova, quando prestamos vestibular pela primeira vez? O colega de trabalho que ficou com o cargo que almejávamos, logo no início da nossa carreira?

Não, nenhum deles estava lá. Esses, que vieram à nossa imaginação, estavam muito longe dali e, muitos deles, provavelmente, sequer lembravam-se da nossa existência ou, quem sabe, nem estivessem mais nesse plano físico carnal, apesar de continuarem a figurar como vilões no sistema de defesa que criamos para conjecturar que o culpado são os outros. Sim, porque há uma tendência natural do ser humano de acreditar que o mérito dos sucessos é nosso e o dos insucessos é alheio.Clicando aqui, você lê o texto completo