Biscoito da Sorte
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Eu preparo o meu sal de fruta e ligo o rádio. Tem que ter estômago para ouvir esse cara. Os seus malabarismos verbais insultam a inteligência do público, mas ele fala com tanta segurança que muita gente é persuadida. Defensor das instituições legais, compara aprisionamento preventivo com cárcere perpétuo, servindo-se da premissa de que ambos não têm um prazo prévio estipulado e, por causa disto, agridem uma cláusula pétrea.
Eu também quero que a presunção de inocência prevaleça, mas sem chegar ao ponto de exigir demais da flexibilidade dos surrados tímpanos populares com analogias heterodoxas. Mas ele chama de ignorante quem se revolta com os habeas corpus concedidos a políticos corruptos. Seus argumentos são meras interpretações da lei e não verdades absolutas. Seriam ótimos se proferidos pelos advogados dos delinquentes de colarinho branco. E eu só quero que a justiça funcione e puna os infratores. Simples.
Os tecnólogos resolvem vários pepinos com uma singela chave de fenda. Creio que o mesmo instrumento não possa ser manuseado para reparar danos na política e na justiça porque eu sou um democrata. Penso que a tortura e a violência não sejam viáveis. Nem teoricamente, pois eu quero manter o nível do texto. E as contrariedades devem ser solucionadas de frente e não pela retaguarda. Nem mesmo pela retaguarda de um ministro do STF que me aborrece. Relaxem as suas fendas, senhores magistrados, pois não utilizarei a minha chave de fenda em vossas excelências.Clicando aqui, você lê o texto completo
Eu também quero que a presunção de inocência prevaleça, mas sem chegar ao ponto de exigir demais da flexibilidade dos surrados tímpanos populares com analogias heterodoxas. Mas ele chama de ignorante quem se revolta com os habeas corpus concedidos a políticos corruptos. Seus argumentos são meras interpretações da lei e não verdades absolutas. Seriam ótimos se proferidos pelos advogados dos delinquentes de colarinho branco. E eu só quero que a justiça funcione e puna os infratores. Simples.
Os tecnólogos resolvem vários pepinos com uma singela chave de fenda. Creio que o mesmo instrumento não possa ser manuseado para reparar danos na política e na justiça porque eu sou um democrata. Penso que a tortura e a violência não sejam viáveis. Nem teoricamente, pois eu quero manter o nível do texto. E as contrariedades devem ser solucionadas de frente e não pela retaguarda. Nem mesmo pela retaguarda de um ministro do STF que me aborrece. Relaxem as suas fendas, senhores magistrados, pois não utilizarei a minha chave de fenda em vossas excelências.Clicando aqui, você lê o texto completo


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Quase chegando ao banco, passo pela porta da livraria.
– Moça, tem livro do Donald Trump? – indago à balconista loira.
Ela digita no sistema de busca apenas a palavra que conhece a grafia, que, obviamente, é a primeira. Nos resultados, somente links pra Pato Donald.
– O livro que você procura é da Disney, moço? – interrogou-me, quase zurrando.
Oh, dúvida, cruel! Tenho de responder em conformidade com o meu desejo ou empenhar-me pra ser simpático? Saco preso na gaveta dói menos...
Esquece o Trump. Nunca aprenderei a ficar milionário lendo as teorias dele. Só vou ajudá-lo a enriquecer mais.Clicando aqui, você ouve a crônica
– Moça, tem livro do Donald Trump? – indago à balconista loira.
Ela digita no sistema de busca apenas a palavra que conhece a grafia, que, obviamente, é a primeira. Nos resultados, somente links pra Pato Donald.
– O livro que você procura é da Disney, moço? – interrogou-me, quase zurrando.
Oh, dúvida, cruel! Tenho de responder em conformidade com o meu desejo ou empenhar-me pra ser simpático? Saco preso na gaveta dói menos...
Esquece o Trump. Nunca aprenderei a ficar milionário lendo as teorias dele. Só vou ajudá-lo a enriquecer mais.Clicando aqui, você ouve a crônica


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O fluxo rítmico da moça sacudia diretamente dentro da cacholinha de sua cacholinha confusa. Se para ele já era um incômodo a arte e a desenvoltura talentosa de sua amada, muito mais se acentuava o desalento quando executadas naquele covil gângster.
O chefão indecoroso mencionou um encontro que tivera com o rapaz, naquele mesmo lugar, há aproximadamente dois meses, que, por suas contas, calhou na véspera do desvendamento de seus rastros. O moço não tinha lembrança do evento e muito menos de ter demonstrado contentamento pela mesma atração, conforme rememorou o contraventor, ao interpretar erroneamente o assombro dele. A alusão fez o rapaz conceber a justificativa de sua tormenta que culminou no acidente. Atordoado, lançou mão de todas as concordâncias pertinentes para que o ancião deixasse-o partir em paz.
Ao engatar a marcha ré e acelerar por alguns metros, viu a suntuosa edificação diminuir de tamanho em relação à distância que tomava. Era uma espécie de despedida proporcionada pelo vislumbre da última imagem necessária para assentar a certeza de que era a ocasião cabida do ponto derradeiro. Os acontecimentos haviam enveredado por meandros que garantiam não restarem dúvidas de que os eixos dos valores mais essenciais foram abalados.Clicando aqui, você lê o conto completo
O chefão indecoroso mencionou um encontro que tivera com o rapaz, naquele mesmo lugar, há aproximadamente dois meses, que, por suas contas, calhou na véspera do desvendamento de seus rastros. O moço não tinha lembrança do evento e muito menos de ter demonstrado contentamento pela mesma atração, conforme rememorou o contraventor, ao interpretar erroneamente o assombro dele. A alusão fez o rapaz conceber a justificativa de sua tormenta que culminou no acidente. Atordoado, lançou mão de todas as concordâncias pertinentes para que o ancião deixasse-o partir em paz.
Ao engatar a marcha ré e acelerar por alguns metros, viu a suntuosa edificação diminuir de tamanho em relação à distância que tomava. Era uma espécie de despedida proporcionada pelo vislumbre da última imagem necessária para assentar a certeza de que era a ocasião cabida do ponto derradeiro. Os acontecimentos haviam enveredado por meandros que garantiam não restarem dúvidas de que os eixos dos valores mais essenciais foram abalados.Clicando aqui, você lê o conto completo


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E não era por isso que eu o odiava. Não fora ele quem escolhera qual curso superior eu faria. O Problema do mestre – mestre não, graduado, porque ele era da época em que não se exigia mestrado para os professores universitários e, quando começaram a exigir, faltavam poucos anos para ele se aposentar e resolveram deixá-lo por lá mesmo – era que ele passou a maior parte de sua vida num mundo ainda bipolarizado por Estados Unidos da América e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
Ele não sabia pensar de outra forma e, mesmo faltando menos de um ano para o século XXI, seu hobby preferido era cutucar as viúvas de Karl Marx (e eu era uma delas). Entrava eu no jogo do velhinho e dava os meus chiliques em sala de aula. E achava lindo.
Contava o catedrático da velha guarda que, na época do regime militar, um aluno, descontente com sua nota na prova bimestral, se vingou dele o denunciando como comunista para o DOI-CODI (aliás, esse nome DOI-CODI soa como algo tão intelectual, mas se é coisa de polícia, não pode ser intelectual).Clicando aqui, você assiste ao vídeo com animação digital
Ele não sabia pensar de outra forma e, mesmo faltando menos de um ano para o século XXI, seu hobby preferido era cutucar as viúvas de Karl Marx (e eu era uma delas). Entrava eu no jogo do velhinho e dava os meus chiliques em sala de aula. E achava lindo.
Contava o catedrático da velha guarda que, na época do regime militar, um aluno, descontente com sua nota na prova bimestral, se vingou dele o denunciando como comunista para o DOI-CODI (aliás, esse nome DOI-CODI soa como algo tão intelectual, mas se é coisa de polícia, não pode ser intelectual).Clicando aqui, você assiste ao vídeo com animação digital


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Bom… é claro que eu não me vanglorio disto. Pra falar a verdade, eu sinto bastante vergonha por ter apelado desta forma. Mas prefiro, eventualmente, cortar o coração de alguma leitora que, por ventura, esteja apaixonada por mim, a perder a piada. Ácida, como sempre, mas engraçada.
Confesso que o meu peito ainda dói, um bocadinho, toda vez que me lembro do rostinho da Bartira coberto de lágrimas.
É dilacerante a imagem que tenho guardada em minha memória dos poros gigantescos e abertos de sua face – que mais pareciam crateras vulcânicas – e das suas espinhas, que ficaram encharcados com o néctar oriundo de seu farto canal lacrimal.
Mas, depois de rezar meia dúzia de ave-marias e padre-nossos, eu me absolvi com a justificativa de que a culpa era dos meus irrequietos hormônios juvenis.Clicando aqui, você lê o texto completo
Confesso que o meu peito ainda dói, um bocadinho, toda vez que me lembro do rostinho da Bartira coberto de lágrimas.
É dilacerante a imagem que tenho guardada em minha memória dos poros gigantescos e abertos de sua face – que mais pareciam crateras vulcânicas – e das suas espinhas, que ficaram encharcados com o néctar oriundo de seu farto canal lacrimal.
Mas, depois de rezar meia dúzia de ave-marias e padre-nossos, eu me absolvi com a justificativa de que a culpa era dos meus irrequietos hormônios juvenis.Clicando aqui, você lê o texto completo


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– E que tríade vem a ser essa, meu poeta?
– As coxas de outras moças, o ronco noctâmbulo e a flatulência.
– E o momento único do encanto da poesia?
– Ele existe, mas não é cerceado pelos disparos advindos dos corpos que se entrelaçam, desejando-se e consumando-se. O exercício das ações genuínas não é abjeto.
– As coxas de outras moças, o ronco noctâmbulo e a flatulência.
– E o momento único do encanto da poesia?
– Ele existe, mas não é cerceado pelos disparos advindos dos corpos que se entrelaçam, desejando-se e consumando-se. O exercício das ações genuínas não é abjeto.
(Trecho do texto "O limiar da compreensão que veio com o hálito")
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