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Biscoito da Sorte
Aceita um biscoito da sorte? É só clicar e descobrir a surpresa que tem dentro dele pra você!
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Vinte minutos era o tempo restante entre a mordida que eu dava naquele sanduíche de rodoviária e o momento indicado pelos algarismos arábicos impressos no bilhete de passagem enfiado no bolso da minha calça.

A quantidade de vidas e histórias que circularam naquele ambiente no qual não havia nenhuma definição certa de área de interesse inquietava-me quanto mais eu brincava de devanear acerca disto. E a aflição era acrescida de demência se o intervalo periódico fosse expandido pela minha imaginação retardada.

Algumas pessoas que ocuparam aquele mesmo espaço muito antes deste que vos fala já estavam pra lá de Bagdá e outras nem existiam mais. Gente que bateu as botas e gente que foi pra casa do... pipi. Mas de que adianta abrir o leque dos anos se o que me convém são os vinte minutos que me cabem? Vinte, não, porque, depois deste passeio inútil que os meus neurônios vagabundos deram entre o córtex pré-frontal e o sistema límbico, só me sobram dezesseis e uns tique-taques.
(Trecho da crônica "Enterrem o meu ego numa urna de safira")
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O sol, agora, é meu amigo
No rol das coisas que eu consigo
Bemol: um tom baixa na lira.

Eu via que esse dia ia chegar
E cria que eu ia gostar
Bom dia! Minha querida Lyra.
(Trecho da letra da música "Bom dia, Lyra!")
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Quando eu estava na terceira série, a professora de educação artística mandou a classe dividir-se em três grupos de doze alunos pra fazer uma apresentação de teatro pra feira do livro, que acontecia em todos os meses de agosto, naquela tradicional escola do Morumbi, bairro nobre de São Paulo, na qual eu era bolsista por ser filho de professora. A mim coube, além da função de escrever a peça, interpretar o personagem principal: um guitarrista esquizofrênico que conservava o hábito de apedrejar igrejas nas madrugadas de lua cheia.

Caraca, véio, o que é que eu queria arrumar pra minha cabeça ao dar-me este polêmico personagem?

Eu somente seria expulso daquele lauto colégio três anos mais tarde, no meio da sexta série, ao falar pro professor Antônio, de história, que compreendia bem a origem símia do homem assistindo às aulas de geografia. Ele era marido da professora de geografia.
(Trecho de um texto de Marcelo Garbine que fala sobre peculiaridades que envolvem a falta de enquadramento social)
Clicando aqui, você ouve o podcast sobre as imposições sociais e o medo da rejeição. Nele, Marcelo Garbine e sua galera misturam humor com filosofia. Uma mesa-redonda muito legal!
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Vejo um novo pássaro a voar
Cruzando o sol que me ilumina
Raios refletem em calota polar
Uma flor nasce na campina.

Sem torpor
Você me surge
Pra compor
Na alma urge
Abro a porta:
Olá, Karina!
(Trecho da letra de música "Olá, Karina!")
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Aparentando indiferença aos burburinhos, não perdeu a pose e sustentou a controvérsia:

– Mas é fato, senhor Lengyel. Não sou eu quem diz, são dados científicos de pesquisa. O intestino grosso das mulheres é constituído por um tubo digestivo bem mais estreito que o do homem, o que faz suas massas fecais demorarem mais para transitarem e serem expelidas. Por ficarem armazenadas por um período mais longo, a ação bacteriana é maior, produzindo uma quantidade expressiva de gás sulfeto de hidrogênio, que entra na corrente sanguínea e acaba sendo absorvido pelo cérebro, tornando-o mais debilitado. Este fenômeno explica os baixos índices de desempenho das indústrias que são administradas por mulheres.

– Não publicaremos esta matéria. A reunião está encerrada.Clicando aqui, você lê o conto completo
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Quando abro o portão, o novo vizinho acena com um sorriso pra mim. Quem sabe, novos amigos... E eu não vi nenhum tijolinho sendo assentado... O meu senso de assimilação cômodo só reclama da estranheza de olhar pela janela e não enxergar o costumeiro mato.

Ontem, indo ao trabalho, refleti: "será que não fazemos isto também em nossas vidas? Quantas casas construímos dentro de nós e nem percebemos? Quanta gente nova vem morar nestas nossas casas interiores e nem nos damos conta?".

Tudo porque estamos ocupados com uma rotina diária. Coisas novas acontecem, coisas velhas deixam de acontecer. O que parecia eterno já não existe mais.

Lagartos gigantescos que dominavam o nosso planeta, agora, são apenas ossadas expostas em museus e petróleo pra queimarmos no tanque de combustível de nossos carros em frações de segundos. Minhas crônicas são casas que eu construí dentro de mim. Os moradores destas casas são os meus leitores e amigos. Escrevendo, fiz amizades.Clicando aqui, você lê o texto completo