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Biscoito da Sorte
Aceita um biscoito da sorte? É só clicar e descobrir a surpresa que tem dentro dele pra você!
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Usamos máscaras, todavia, na hipótese de tirarmos este traje pesado, composto por várias camadas de armaduras de aço, fica só o nosso espírito nu e friorento, com olhinhos de gatinho assustado, no meio do asfalto, implorando, desesperadamente, por colo e afago.

Aqueles desfiles de soldados e mísseis só enganavam quem queria ser enganado. Em seguida, descobriu-se que muitos dos projéteis eram ocos, simples adornos de carnaval pra meter medo no imperador da outra facção do globo terrestre. E, ainda que não fossem, a mim, não tapeiam mais. Já quis ser ludibriado o bastante...

URSS e USA eram dois bêbados, no boteco, gritando pra ver quem era mais macho. Precisava-se de uma mentira pra ter razão pra viver.

Um dia, tomei uma atitude de homem e deixei de ter falsas certezas. E, como todas as convicções são ilusórias, não tenho mais convencimento algum.
(Trecho da crônica "No alto do rochedo, eu me esvaí com o vento")
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– Você não vai perguntar o meu nome.

– Acho que não. Não quero estragar o momento. De repente o seu nome é Aparecida, Elza, Dolores ou qualquer coisa dessas anti-tesão.

– Não, pode ficar tranquilo. Tenho um nome comum, do tipo Rafaela, Patrícia, Viviane… coisa assim.

– Mesmo assim não seria bom. Depois de oito latinhas, eu preferiria que o seu nome fosse Tíffany, Natasha, Mel… algo dessa linha.

– Meu nome é Anne Gabrielle.

– Com dois enes e dois eles?

– Sim.

– Oba, esse é bom: nome duplo, ambos com letras duplicadas e terminando forçosamente com os excêntricos “Es” ao invés dos consuetudinários “As”. Perfeito.Clicando aqui, você lê o texto completo
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Nos idos de 1999, quando eu ainda cursava a faculdade de economia, muito me preocupava o fato dos Estados Unidos não terem assinado o tal do Protocolo de Kyoto, alegando que, caso reduzissem a emissão de CO2 na atmosfera, poderiam prejudicar a atividade econômica do país.

Por isto, participei de vários congressos e baterias de palestras acerca do assunto e cheguei a cogitar redigir a minha monografia sobre este tema.

Depois de uma semana inteira confinado num hotel no qual ocorrera um evento com debates a respeito desta matéria, senti-me saturado com tantos dados técnicos e comecei a pensar o conteúdo do modo que mais me aprazia: poeticamente.

Lá do fundo da sala de conferências, vi um jovem universitário escocês dirigir-se à tribuna e dizer que o aquecimento global não existia, era meramente uma falácia e estava tudo em ordem com o clima no mundo. Sua oratória era contagiada de otimismo e suas previsões repletas de coisas boas que, consoante seu entendimento, suceder-se-iam nas décadas vindouras.Clicando aqui, você assiste ao vídeo com animação digital
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Bom… é claro que eu não me vanglorio disto. Pra falar a verdade, eu sinto bastante vergonha por ter apelado desta forma. Mas prefiro, eventualmente, cortar o coração de alguma leitora que, por ventura, esteja apaixonada por mim, a perder a piada. Ácida, como sempre, mas engraçada.

Confesso que o meu peito ainda dói, um bocadinho, toda vez que me lembro do rostinho da Bartira coberto de lágrimas.

É dilacerante a imagem que tenho guardada em minha memória dos poros gigantescos e abertos de sua face – que mais pareciam crateras vulcânicas – e das suas espinhas, que ficaram encharcados com o néctar oriundo de seu farto canal lacrimal.

Mas, depois de rezar meia dúzia de ave-marias e padre-nossos, eu me absolvi com a justificativa de que a culpa era dos meus irrequietos hormônios juvenis.Clicando aqui, você lê o texto completo
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Ao viajar para Rotorua, conheceu um Marae – casa sagrada dos maoris – na qual um senhor chamado Akahata, chefe da tribo, recebeu-o com honras, mostrando-lhe gratidão pela carta número vinte e seis do jogo, que retratava um conquistador lunar de origem maori, que lutava naquele astro. Akahata ofereceu um moko – tatuagem maori – a ele, que seria delineado em seu rosto. Um privilégio para ele, já que os mokos são símbolos de status naquela cultura – quanto mais conquistas o indivíduo reunia, mais a sua pele era circunscrita com os adornos – e o estrangeiro teve de mandar um "Não, obrigado!" ao simpático nativo, com o devido cuidado para não ofendê-lo.

O silvícola, por seu turno, não se melindrou e, para provar que estava tudo certo entre eles, esbugalhou os olhos até expor os nervos ópticos e colocou a língua para fora, tocando a covinha do queixo com a sua ponta, e dançou o Haka para o estrangeiro, que sorriu.Clicando aqui, você lê o conto completo
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O senhor não poupava adjetivos para supervalorizar a importância de sua empreitada turística para a economia em virtude de sua contribuição para o produto interno bruto. Para ele, a publicação de um artigo na revista de negócios mais célebre do país era uma cartada conveniente para fortalecer a sua posição perante o governo federal e angariar recursos financeiros provindos dos cofres públicos pelas leis de incentivos fiscais ao turismo. O rapaz, por seu turno, que não resguardava simpatia nenhuma por privilégios e apadrinhamentos, era uma presa complexa para os argumentos tendenciosos do mafioso. Apenas havia aceitado o encargo devido ao seu interesse conceitual por organizações criminosas e pela adrenalina obtida na atuação no âmbito do jornalismo investigativo. O velho, um ilustre orador, utilizava os ínterins de clímax do espetáculo, aproveitando-se da desatenção, para nele inculcar as premissas mais vantajosas para a companhia. E foi percebendo a distração explícita de seu interlocutor, que o ancião valeu-se de seus discursos mais sórdidos. O indivíduo perverso não entendia por quê, mas era tão profunda a introspecção do periodista, que ele presumiu poder falar o que quisesse que o moço consentiria caladamente. Mas as indecências proferidas só poderiam estar provocando algum efeito se fossem no plano inconsciente porque o rapaz já não ouvia mais nada. Ele reconheceu a atriz que preencheu o centro do tablado...Clicando aqui, você lê o conto completo