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Biscoito da Sorte
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O senhor não poupava adjetivos para supervalorizar a importância de sua empreitada turística para a economia em virtude de sua contribuição para o produto interno bruto. Para ele, a publicação de um artigo na revista de negócios mais célebre do país era uma cartada conveniente para fortalecer a sua posição perante o governo federal e angariar recursos financeiros provindos dos cofres públicos pelas leis de incentivos fiscais ao turismo. O rapaz, por seu turno, que não resguardava simpatia nenhuma por privilégios e apadrinhamentos, era uma presa complexa para os argumentos tendenciosos do mafioso. Apenas havia aceitado o encargo devido ao seu interesse conceitual por organizações criminosas e pela adrenalina obtida na atuação no âmbito do jornalismo investigativo. O velho, um ilustre orador, utilizava os ínterins de clímax do espetáculo, aproveitando-se da desatenção, para nele inculcar as premissas mais vantajosas para a companhia. E foi percebendo a distração explícita de seu interlocutor, que o ancião valeu-se de seus discursos mais sórdidos. O indivíduo perverso não entendia por quê, mas era tão profunda a introspecção do periodista, que ele presumiu poder falar o que quisesse que o moço consentiria caladamente. Mas as indecências proferidas só poderiam estar provocando algum efeito se fossem no plano inconsciente porque o rapaz já não ouvia mais nada. Ele reconheceu a atriz que preencheu o centro do tablado...Clicando aqui, você lê o conto completo
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Há muito tempo, eu aqui, ouço falar
Do tal jeitinho brasileiro. O que é que há?

Que eles chamam de talento
Não entendo, mas eu tento
Compreender por quê.

Não se engane, meu rapaz
Quem está indo pra trás
É mesmo você.

Um malandro que é do bem
Anda com me diz com quem?
Pra onde irá?

O malandro vai pra frente
Quando vai com toda gente
Todos vão ganhar.
Trecho da letra de música "Malandragem do bem"
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Está certo que, cinco anos antes, em 1980, quando eu contava apenas três aninhos, havia ganho um brinquedo Mini Cine da Estrela, num concurso infantil de fim de ano no qual fora proposto que delineássemos ilustrações natalinas. Nesta ocasião, o meu trabalho ficou longe das melhores classificações, cabendo a mim somente esta prenda destinada a candidatinhos medianos. Entretanto, eu ganhei enquanto aos priminhos meus que se expressavam bem com canetinhas coloridas coube, como brinde, um desenxabido cinto, digo, sinto... sinto muito.

Um quinquênio escoado, esta lembrança nada me motivava. Apesar da pouca idade, tinha eu plena consciência de que só ganhara porque os avaliadores acharam bonitinho um menininho tão pequerrucho colar algodão para perfazer a barba branca do bom velhinho. Sabia que o prêmio não fora nenhum mérito decorrente de algum dom passível de repetir-se em outras circunstâncias da minha vida. Afinal, de modo cruel, descobrimos que, quanto mais crescemos, mais ficamos sem graça aos olhos dos adultos e, o que era gracioso e divertido, torna-se banal.Clicando aqui, você lê o texto completo
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Eu sonhava tanto
Em dividir meu canto
Mas o canto que eu quis morar
Você não quis cantar

Por isso eu resolvi
Ficar mesmo por aqui
Até edifiquei meu teto
E recebo dele afeto.
(Trecho da poesia "Longínquo Horizonte")
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Eu estava assustado. Profundamente assustado. Calma, Marcelo, o Universo é sábio. Não é à toa que você está com esta revista Caras molhando embaixo do seu sovaco suado.
– Moça, você quer trocar o livro da sua irmã por esta revista?
Ela franziu a testa e pareceu ter experimentado uma metamorfose, transfigurando-se num bagulho mais esquisito do que o Steven Tyler, o vocalista do Aerosmith. Suponho que, no planeta dela, era o modo usual de manifestar contentamento.
Desta feita, a prima bonita do E. T. gritou:
– SIM!
Quem é da Geração X, assim como eu, levanta a mão! Vocês, com certeza, recordam-se do programa Domingo no Parque, do Silvio Santos. Sabe aquele quadro em que as crianças ficavam dentro de um foguetinho, ouvindo música?
O Silvio Santos perguntava se o menino queria trocar a bicicleta por um chiclete de jiló mastigado e o menino gritava: “SIM!".
Foi exatamente desse jeito que ela gritou quando eu a questionei sobre a troca do livro pela revista: “SIM!”.
Soltei a revista no ar e entreguei-a aos caprichos da Lei de Newton. Chocado, recuei pisando três vezes pra trás e saí do edifício a passos largos, andando ligeiro, quase correndo.Clicando aqui, você assiste ao vídeo com animação digital
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Margeando o rio, desta feita, pela pista contrária, transpôs o percurso mecânico de volta para casa, inclusive, pela zona deserta da estrada, por onde poucos veículos trafegavam. Naquele trecho de asfalto envolto por bosques, dificilmente avistava outro carro. Isto era fundamento suficiente para que as fortes marcas de pneus em forma de zigue-zague despertassem a sua atenção.

Parou no acostamento e observou que os resíduos negros de borracha terminavam numa árvore. Perto da raiz corpulenta, havia alguns cacos brilhantes. Curioso, passou a mão sobre as lascas e viu as pontas de seus dedos sangrarem. Reparou, então, que o lado esquerdo do capô de seu veículo estava danificado e o farol, quebrado.

Até o antepenúltimo dia, as chuvas castigaram a capital húngara. Apenas sabia disto porque ouvira notícias sobre os estragos por intermédio do rádio de seu carro, há poucos minutos, mas não tinha nenhuma recordação do episódio.Clicando aqui, você lê o conto completo